Definição, classificação e cuidados a serem tomados

 

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira “é considerado vegetariano todo aquele que exclui de sua alimentação todos os tipos de carne, aves e peixes e seus derivados, podendo ou não utilizar laticínios ou ovos”.

No entanto, apenas restringir a ingestão de alimentos de origem animal e seus derivados não é Vegetarianismo, vai além disso, pois o vegetarianismo se baseia na ingestão de alimentos vegetais, mas de forma equilibrada.

 

Classificação do Vegetarianismo

  • Ovolactovegetariano: é o vegetariano que utiliza ovos, leite e laticínios na alimentação ou em preparações culinárias.
  • Lactovegetariano: é o vegetariano que não utiliza ovos, mas faz uso de leite e laticínios na alimentação ou em preparações culinárias.
  • Ovovegetariano: é o vegetariano que não utiliza laticínios, mas consome ovos na alimentação ou o ingere por meio de preparações culinárias.
  • Vegetariano estrito: é o vegetariano que não utiliza nenhum derivado animal na sua alimentação. É também conhecido como vegetariano puro ou vegan ou vegano.
  • Vegano: é o indivíduo vegetariano estrito que não consome nenhum alimento de origem animal assim como se recusa a usar componentes animais não alimentícios, como vestimentas de couro, lã e seda, assim como produtos testados em animais.

 

 

Discutindo o Vegetarianismo

O ser humano é onívoro por natureza, assim com a evolução, o homem se tornou capaz de consumir diversos alimentos, e essa adaptação garantiu a perpetuação da espécie.

A ingestão de alimentos de origem animal foi fundamental para a sobrevivência e evolução do ser humano, pois esses alimentos apresentam, de forma geral, maior concentração calórica do que os alimentos de origem vegetal, permitindo nosso organismo realizar depósitos de energia, principalmente em forma de tecido adiposo – gordura, permitindo nossos ancestrais passar por períodos de privação alimentar.

Com o descobrir do fogo, do cozimento, passamos ser capazes de tornar os alimentos vegetais mais digeríveis e consequentemente mais nutritivos e nosso sistema digestório também passou por processos de adaptação, nos tornando aptos a ingerir, digerir e aproveitar nutritivamente grande variedade desses alimentos. 

As proteínas de origem animal são de alto valor biológico, ou seja apresentam todos os aminoácidos essenciais e apresentam grande impacto positivo no balanço nitrogenado, já as proteínas de alimentos vegetais geralmente apresentam deficiência em determinado aminoácido (aminoácido limitante), como exemplo temos os cereais com deficiência relativa no aminoácido lisina, mas quando combinada com leguminosas, que são ricas em lisina, se complementam, por isso a necessidade de se fazer combinações alimentares adequando essa deficiência de aminoácidos. E os vegetais ainda podem ser de mais difícil digestão e conter fatores anti nutricionais, mas tudo isso pode ser corrigido com a melhor combinação entre os alimentos, modo de preparo e se necessária, a suplementação, por isso é fundamental a orientação de profissional médico capacitado e nutricionista para quem deseja adotar o vegetarianismo.

Geralmente os alimentos de origem animal contem maior quantidade de ferro e de forma mais biodisponível quando comparados aos alimentos vegetais, e deve-se ter atenção especial também no cálcio, pois sua quantidade e biodisponibilidade em alimentos vegetais tende a ser muito mais baixa também.  A vitamina B12 é difícil de ser adequada em vegetarianos estritos. Portanto, a suplementação de ferro, cálcio, vitamina B12 e zinco pode ser necessária e deve ser monitorada por toda a vida do vegetariano, pois em cada etapa da vida a demanda pode ser diferente, como em crianças, adultos homens e mulheres, gestantes, idosos e ainda portadores de alguma patologia.

Diversos estudos demonstram grandes benefícios que dieta vegetariana pode trazer a nossa saúde, no entanto essa dieta quando desequilibrada pode ter efeito inverso, trazendo grandes prejuízos a saúde, assim como a dieta onívora também desequilibrada.

 

Ferro e Vitamina B12

A absorção do ferro e da vitamina B12 estão diretamente ligadas a acides estomacal, e os idosos apresentam menor acides no estomago – acloridria, e também o uso de antiácidos pode comprometer a absorção. E a anemia perniciosa, que é doença autoimune, pela diminuição da produção de fator intrínseco, compromete a absorção de vitamina B12.  A absorção de vitamina B12 ocorre no íleo terminal, portanto qualquer patologia ou cirurgia que comprometa essa região, pode comprometer também toda absorção da vitamina B12.

A falta de vitamina B12 pode levar a anemia, demência e a sintomas neuropsiquiátricos, e o ferro em anemia, fraqueza, cansaço, perversão alimentar, diminuição da cognição entre outras.

Portanto, após a avaliação médica de todas essas variáveis, história do indivíduo, exame físico e dosagem desses elementos e outros marcadores de deficiência, o mesmo decidir a necessidade da suplementação/reposição ou não, e se suplementar/repor, fará de forma mais adequada.

 

Conclusão

A dieta vegetariana pode ser muito benéfica a nossa saúde, no entanto deve ser equilibrada, pois do contrário pode ter efeito inverso, levando a sérios prejuízos à saúde. Portanto, é fundamental o acompanhamento por profissional médico capacitado para que se possa aproveitar todos os benefícios do vegetarianismo.

 

Referências

American Dietetic Association. Dietitians of Canada. Position of the American Dietetic Association and Dietitians of Canada: Vegetarian diets. Journal of the American Dietetic Association, 2003. 103(6): p.748-65

SLYWITCH, E. Guia Alimentar de Dietas Vegetarianas para Adultos. 2012. Disponível em: <http://www.svb.org.br>.

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