A obesidade é uma doença crônica, ou seja, não há cura, há controle, e leva a uma série de prejuízos a nossa saúde, aumentando o risco de desenvolvermos diabetes mellitus, dislipidemias, hipertensão arterial sistêmica, diversos tipos de câncer, doenças osteo articulares entre outras. Por isso deve ser tratada sem preconceitos e por profissionais capacitados.  E hoje sofremos uma pandemia mundial de obesidade, sendo que pela OMS (Organização Mundial de Saúde) o Brasil já apresenta 52% de sua população com sobrepeso.

 

Causas de obesidade:

  • Alimentação;
  • Desregulação do balanço energético por alterações de sinalizadores hormonais, neurotransmissores e de regiões do hipotálamo;
  • Microbiota intestinal;
  • Nível de Atividade Física;
  • Fatores Genéticos;
  • Disruptores endócrinos;
  • Ambiente perinatal (ambiente da criança intra útero durante a gestação e início da vida após o parto) – Programação Metabólica – Epigenética;
  • Outras causas.

 

Alimentação

A manutenção do peso corporal adequado depende de nosso metabolismo (transformações químicas e energéticas do organismo) regulado por um Sistema Nutro-Neuro-Imuno-Endócrino, que mantem a Homeostase Energética (balanço energético), em que por um lado temos o gasto energético –  metabolismo basal, atividade física, termogênese adaptativa que é induzida pelos hormônios, dieta e temperatura e por outro lado, temos a ingestão alimentar por demanda energética e ingestão alimentar associado ao prazer – controle Hedônico.

Nos alimentamos para manter esse balanço energético, por que precisamos produzir energia, obter nutrientes (carboidratos, lipídeos, proteínas, vitaminas, sais minerais e água) para que possamos nos manter vivos e ativos.

E as principais moléculas energéticas são os carboidratos (açúcares ou polímeros de açúcar), Lipídeos (gorduras) e proteínas (polímeros de aminoácidos). Moléculas essas que são armazenadas em nosso corpo em forma de glicogênio, triglicerídeos e proteínas. Portanto, quando a ingestão supera o gasto energético, principalmente os carboidratos e lipídeos ficam estocados em forma de gordura “neutra” – triglicerídeos, aumentando a massa de tecido adiposo, levando a obesidade e suas consequências.

Adicionando a isso, nos últimos séculos os homens desenvolveram técnicas agrícolas e pastoris, havendo assim maior abundância de alimentos. E os alimentos vem sendo cada vez mais processados aumentando assim sua concentração energética.  Portanto, hoje, temos maior oferta de alimentos e esses mais engordativos.

 

Fatores Genéticos

A genética é muito importante, pois a mesma contribui com o equilíbrio da massa corporal e há estudos que sugerem que a herança da obesidade é de 50-90%.  No entanto, mutações não explicam a pandemia de obesidade, pois apresentam baixa frequência, assim a explicação mais plausíveis do ponto de vista genético seriam a seleção natural e “genótipo econômico”, ou seja, nossos ancestrais caçavam para poder se alimentar, nos dias que não tinha sucesso na caça ou algum outro motivo de não conseguirem se alimentar, passavam fome, ficavam doentes, e somente os que conseguiam armazenar mais energia em forma de gordura em seu corpo é que sobreviviam e passavam isso para seus descendentes.

 

Programação Metabólica – Epigenética

A programação metabólica ou epigenética se refere a alterações na expressão de genes para que haja uma adaptação ao meio.  E isso é muito intenso no período gestacional e no início da vida da criança (período perinatal), período pela qual são criados mecanismos adaptativos (modificações epigenéticas) que se dão por fatores de impressão como nutrição, ambiente e hormônios.  Assim, a adaptação a esses fatores, criam a programação para que o indivíduo engorde e seja um obeso no futuro.

Levando isso para a prática, em diversas regiões na segunda guerra mundial, muitas mulheres grávidas passaram por período de restrição alimentar e tiveram crianças com baixo peso ao nascer, e com o passar dos anos foi observado que esse grupo de crianças engordaram mais comparando com outro grupo de crianças filhas de mães que não passaram por restrição alimentar na gestação.  Portanto, baixo peso ao nascer pode levar a obesidade na idade adulta.

A partir disso, começaram a observar em diversos estudos que mães/crianças expostas a restrição alimentar, desmame precoce, obesidade materna, ingestão de alguns alimentos (ex.: linhaça – rica em lignanas), exposição a nicotina, as fumaças, a metais pesados e a alguns fatores hormonais, podem também criar uma programação metabólica favorecendo a obesidade, e não só a obesidade, mas também a muitas outras doenças.  

E a alterações epigenéticas podem passar de uma geração para outra. Portanto temos que estar atentos ao período gestacional e ao início da vida das crianças, para que se evite muitos “obesos doentes”.

 

As outras causas de obesidade

O assunto é muito complexo, extenso e dada a importância do mesmo, vamos descrever as outras causas separadamente, uma em cada publicação, e até as acima já inicialmente comentadas.

Aprofundaremos mais o assunto e como tratar cada uma dessas causas.

 

Muito importante

Apenas com essa publicação inicial sobre obesidade, você já deve ter percebido que essa é uma doença crônica importante, que leva a várias comorbidades e há muitas causas para que a mesma se manifeste no indivíduo.  Portanto, a imperante necessidade do obeso ser avaliado por MÉDICO capacitado, antes de recorrer a qualquer tipo de tratamento.

 


Referências

DAY, S. E.; COLETTA, R. L.; KIM, J. Y.; GARCIA, L. A.; CAMPBELL, L. E.; BENJAMIN, T. R.; ROUST, L. R.; FILIPPIS, E. A. DE; MANDARINO, L. J.; COLETTA, D. K. Potential Epigenetic Biomarkers of Obesity Related Insulin Resistance in Human Whole-blood. Epigenetics, 20 jan. 2017.
MOCHIZUKI, K.; HARIYA, N.; HONMA, K.; GODA, T. Relationship between epigenetic regulation, dietary habits, and the Developmental Origins of Health and Disease theory. Congenital Anomalies, 7 fev. 2017.
MORENO-INDIAS, I.; SÁNCHEZ-ALCOHOLADO, L.; GARCÍA-FUENTES, E.; CARDONA, F.; QUEIPO-ORTUÑO, M. I.; TINAHONES, F. J. Insulin resistance is associated with specific gut microbiota in appendix samples from morbidly obese patients. American journal of translational research, v. 8, n. 12, p. 5672–5684, 2016.
PIETROBELLI, A.; AGOSTI, M.; ZUCCOTTI, G.; THE MENU GROUP. Putting the Barker Theory into the Future: Time to Act on Preventing Pediatric Obesity. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 13, n. 11, p. 1151, 17 nov. 2016.
TUNE, J. D.; GOODWILL, A. G.; SASSOON, D. J.; MATHER, K. J. Cardiovascular consequences of metabolic syndrome. Translational Research, 9 jan. 2017.

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