Menopausa: Terapia Hormonal

Menopausa: Terapia Hormonal

A palavra menopausa surgiu em uma obra escrita por um médico francês, Charles Gardanne, no ano de 1816, e representa a união dos termos ménès e pause, sendo traduzido para mês e fim da menstruação.  E essa parada da menstruação é um marco muito importante na vida das mulheres, pois há profundas mudanças, tanto no nível psíquico como físico, mudanças essas que podem afetar levemente ou intensamente a qualidade de vida.

E a menopausa ocorre em consequência da falência ovariana fisiológica, com a queda dos hormônios estrógenos. Ela é caracterizada após 12 meses sem menstruar.  Já o período anterior a menopausa em que há irregularidade menstrual é chamada climatério, período no qual a mulher já pode começar a sofrer os efeitos da redução dos hormônios estrógenos.

 

Manifestações Clínicas que Podem Surgir na Menopausa

  • Irregularidade menstrual;
  • Sangramento uterino alterado;
  • Parada da menstruação;
  • Ressecamento vaginal;
  • Sangramento após a relação sexual;
  • Dispareunia – dor na relação sexual;
  • Incontinência urinária;
  • Infecções urinárias de repetição;
  • Ressecamento e enrugamento da pele decorrentes de modificações do colágeno;
  • Aumento da fragilidade capilar;
  • Hirsutismo facial – pelos na face em regiões comuns nos homens;
  • Irritabilidade;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Diminuição da libido (desejo sexual);
  • Insônia;
  • Diminuição da memória;
  • Fogachos (ondas de calor);
  • Aumento do colesterol ruim (LDL), diminuição do colesterol bom (HDL), aumentando o risco para doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico;
  • Aumento da gordura abdominal (da barriga) e diminuição da massa muscular, aumentando o risco de diabetes entre outras;
  • Osteopenia/osteoporose;
  • Osteoartrite (artrose);
  • E outras;

 

Benefícios da Terapia Hormonal da Menopausa

Os benefícios são inúmeros, mas os mais importantes são:

  • o alivio dos fogachos (ondas de calor);
  • melhora da secura vaginal;
  • melhora da massa óssea;
  • redução da insônia e das mudanças de humor;
  • redução do risco de diabetes;
  • menor acúmulo de gordura abdominal;
  • diminuição do risco de câncer colorretal, entre muitos outros benefícios.


No entanto, essa terapia também pode levar a prejuízos a saúde quando mal indicada e feita por profissional não capacitado
, pois pode em determinados grupos de mulheres e dependendo também dos hormônios utilizados, aumenta-se o risco de doença cardiovascular, câncer de mama e tromboembolismo.

Nunca é demais lembrar que somente profissionais qualificados devem prescrever essa terapia para que você obtenha somente os benefícios.

 

Tratamento

A mulher, antes do tratamento, deve passar por uma boa avaliação médica, com a realização de diversos exames. E a terapia é:

  • Alimentação saudável;
  • Exercício físico;
  • Hormônio estrógeno;
  • Hormônio progestógeno – se a mulher tiver útero;
  • Para mulheres em que há contra contra – indicação ao uso de estrógeno: tibolona, raloxifeno e fitoestrógenos (fraca evidência de alguma eficácia);
  • Antidepressivos e outros medicamentos de pouca evidência da eficácia.

 

 Dica Mais Importante de Todas!!

  1. SOMENTE realize terapia com profissionais capacitados, pois terapia com hormônio não é brincadeira. Pode oferecer diversos benefícios, mas com os hormônios errados ou mal indicada, pode levar a sérios prejuízos a sua saúde;
  2. CORRAM dos profissionais que mandam manipular os hormônios em farmácias de manipulação, pois a dose desses hormônios é muito baixa, sendo muito difícil ser quantificado. A pureza deve ser alta;
  3. E mais uma vez, CORRA QUILÔMETROS de profissionais que LOGO NO INÍCIO da terapia já queiram te prescrever TESTOSTERONA!!!!

 

Referência:

Endocrinologia Feminina e Andrologia. Ruth Clapauch. Segunda Edição. 2016.

 

Síndrome dos Ovários Policísticos

Síndrome dos Ovários Policísticos

Mais uma causa de obesidade e outras doenças.

 

Muitas mulheres apresentam obesidade, diabetes, infertilidade e são tratadas de maneira inadvertida, tratando somente as consequências, pois não tiveram o diagnóstico de Síndrome dos Ovários Policísticos, a qual deve ser tratada de uma maneira toda especial.

Essa é a patologia endócrina que mais acomete as mulheres no período reprodutivo e está associada a resistência insulínica (podendo evoluir para diabetes), hipertensão arterial sistêmica, obesidade, dislipidemia, infertilidade, maior risco de doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico entre outras. E a causa da SOP é multifatorial, tendo um padrão de herança poligênica associada a fatores ambientais como má alimentação, sedentarismo e muitas outras.

O diagnóstico pelo Consenso de Rotterdam – 2003 se dá pela presença de, pelo menos, dois dos seguintes itens:

  • Disfunção menstrual;
  • Hiperandrogenismo – quadro que cursa com aumento de hormônios sexuais masculinos – clínico e/ou laboratorial;
  • Ovários policísticos à ultrassonografia.

E quando se fala em ovários policísticos à ultrassonografia, existe alguns critérios, sendo o aumento do volume ovariano em mais de 10 ml e/ou presença de 12 ou mais folículos medindo entre 2 e 9 mm de diâmetro em, pelo menos, um dos ovários. E o exame deve ser realizado entre o 3-5 dia do ciclo menstrual e a mulher não deve estar em uso de anticoncepcional oral.

E com aumento dos androgênios (aumento dos hormônios sexuais masculinos) pode haver hirsutismo (crescimento de pelos em locais comuns em homens), acne, alopecia e outras.

 

Consequências da Síndrome dos Ovários Policísticos

  • Obesidade;
  • Hirsutismo (aparecimento de pelos em locais comuns em homens);
  • Acne;
  • Amenorreia;
  • Oligomenorréia;
  • Infertilidade;
  • Abortamento recorrente espontâneo;
  • Apneia do Sono;
  • Intolerância à glicose;
  • Alterações hormonais;
  • Hipertensão arterial sistêmica;
  • Aumento do risco de câncer de útero e mama;
  • Diabetes melitos tipo 2;
  • Dislipidemia (aumento do colesterol e/ou triglicerídeos);
  • Aumento de risco de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico;
  • Esteatose hepática (gordura no fígado);
  • Pode se encontrar também Acantose Nigricans que são manchas escuras mais comuns em regiões de dobras.

 

Tratamento

  • Controle da SOP;
  • Tratar o hirsutismo;
  • Normalizar a menstruação;
  • Promover fertilidade na mulher que desejar engravidar.

Sendo o principal pilar do tratamento a Mudança no Estilo de Vida adotando dieta hipocalórica, pobre em gorduras saturadas, com pouco sódio e exercícios físicos.

E os medicamentos usados no tratamento podem ser:

  • Anticoncepcionais orais com progestágenos como drosperinona ou ciproterona ou clormadinona;
  • Espironolactona;
  • ciproterona;
  • Flutamida (evitada por ser mais tóxica ao fígado);
  • Finasterida;
  • Citrato de Clomifeno – no tratamento da infertilidade;
  • Gonadotrofinas – nos casos não responsivos ao Clomifeno e metformina;
  • Metformina;
  • Inibidores de Aromatase como o Letrozol;

 

Conclusão

Essa patologia muitas vezes deixa de ser diagnosticada ou as vezes é diagnosticada de forma incorreta em quem não apresenta o problema ou ainda é diagnosticada de maneira correta, mas tratada de forma inadequada. Portanto, procure o profissional médico mais adequado para isso, pois do contrário as consequências poderão ser desastrosas.