Vitaminas Lipossolúveis são do bem ou do mal?

Vitaminas Lipossolúveis são do bem ou do mal?

As vitaminas são substâncias muito importantes na manutenção de nossa saúde, pois tanto a deficiência de determinada vitamina pode levar a quadros patológicos-doenças, quanto excesso também pode levar a vários prejuízos a nossa saúde.

Portanto, as vitaminas são substâncias que só devem ser suplementadas se forem verificadas a deficiência das mesmas, seja por sinais e sintomas apresentados pelo indivíduo ou por dosagem no sangue.

Vamos falar um pouco das vitaminas lipossolúveis que são a Vitaminas A, D, K e E, analisando a importância das mesmas, fontes alimentares, toxicidade entre outras.

 

Vitamina A

A vitamina A – retinoides – refere-se a três compostos pré-formados, o retinol, retinal ou retinaldeído e ácido retinóico, que são encontradas em alimentos de origem animal. E temos ainda, um grupo de compostos provenientes dos vegetais, os carotenoides, que produzem retinoides (vitamina A) quando metabolizados em nosso corpo. Contudo, apenas alguns carotenoides possuem atividade de vitamina A, e o mais importante é o Beta caroteno.

As principais fontes de vitamina A são: fígado, manteiga, queijo, óleo de fígado de peixe, leite integral enriquecido, gema de ovo e vegetais com folhas amarelas e verde-escuras.

Essa vitamina é importante para o crescimento/desenvolvimento normal, saúde dos tecidos que revestem nosso corpo como a pele, funcionamento normal do sistema imune, visão noturna, ajuda na formação do osso, dos dentes e funciona como antioxidante.

Sua deficiência pode levar a ressecamento da pele, maior risco de infecções, aumento do risco de aborto, má formação fetal, retardo do crescimento intrauterino e muitas outras.

No entanto, é tóxica em grandes quantidades, podendo levar a dores nos ossos e fragilidade, pele seca, unhas quebradiças, queda de cabelo, inflamação nas gengivas, perda do apetite, irritabilidade, fadiga, problemas no fígado entre outras.

Há trabalhos bem delineados em que foi evidenciado que a suplementação de vitamina A em indivíduos com câncer de estômago e intestino morreram mais e houve aumento do risco e mortalidade de câncer de pulmão em quem fuma.

 

Vitamina E

A vitamina E são os tocoferóis e tocotrienóis. São encontras principalmente no germe de trigo, amêndoas, avelãs, vegetais de folhas verdes, óleos vegetais, laticínios, gema de ovo e nozes.

É um antioxidante forte, inativando os radicais livres, melhorando nossa saúde e prevenindo diversas doenças.

A deficiência pode levar a perda de reflexos tendíneos profundos, prejuízo da sensação vibratória, alterações no equilíbrio e coordenação, fraqueza muscular e distúrbios visuais.

A vitamina E é pouco tóxica, no entanto o excesso da mesma pode prejudicar o organismo de aproveitar as outras vitaminas lipossolúveis e também  pode levar a prejuízo na saúde óssea e na coagulação, podendo levar a sangramentos.

 

Vitamina K

A vitamina K – filoquinona (K1) – origem vegetal, menaquinona (K2) – sintetizada pelas bactérias intestinais e menadiona (K3) – composto sintético, é essencial na síntese de diversos fatores de coagulação, responsáveis pela coagulação do sangue, assim sua deficiência pode levar a hemorragias.  E contribui na formação do osso.

Encontrada nos alimentos: fígado, vegetais folhosos, folhas verdes, óleos vegetais, farelo de trigo e é sintetizada por bactérias do intestino.

Quanto a toxicidade, somente o excesso de menadiona pode levar a anemia hemolítica.

 

Vitamina D

Na verdade, não deveria ser classificada como sendo uma vitamina, mas sim um pró hormônio ou hormônio.  E dada a importância da mesma, escrevi um texto a parte falando somente sobre a mesma, verifique CLICANDO AQUI.

 

CONCLUSÃO

Deve se ter muita cautela na suplementação de vitaminas, pois o excesso das mesmas pode levar a sérios prejuízos a nossa saúde.

A melhor fonte desses nutrientes são os alimentos. A alimentação, com alimentos mais diversificados possíveis, consegue suprir à quantidade necessária de vitaminas de qualquer indivíduo saudável.

Diabetes: importância, prevenção e complicações

Diabetes: importância, prevenção e complicações

Consideramos o diabetes mellitus tipo 2 uma das maiores emergências no mundo na área de saúde, pois a cada ano temos aumento importante de indivíduos com essa doença, levando a grande impacto em diversos níveis.

Segundo a IDF (International Diabetes Federation), é estimado que 415 milhões de adultos no mundo tenham diabetes, e um número aproximado está em alto risco de desenvolver a doença, pois está diretamente ligado ao aumento do sedentarismo, da obesidade e da longevidade.

Cerca 80% desses indivíduos vivem em países em desenvolvimento. E há outra parcela de milhões de pessoas permanecem sem o diagnóstico, pois é uma doença silenciosa, na maioria das vezes apresentando sinais e sintomas em fase tardia, por isso todos devem estar bem atentos na prevenção e diagnóstico precoce.  

Consequentemente, o diabetes e suas comorbidades são uma das principais causas de morte na maioria dos países, gerando um grande impacto econômico para os sistemas de saúde e para os portadores da doença, pois geram altos custos com medicamentos e internações, dado principalmente pelas muitas complicações. Diminui ainda, de forma importante, capacidade de trabalho, qualidade de vida e autonomia dos portadores da doença.

 

Prevenção primária – do início do diabetes

 

Deve estar focada na mudança de estilo de vida, como controle do peso, alimentação saudável e prática de atividade física.

A alimentação deve ser sem excesso de calorias, rica em fibras, frutas, vegetais folhosos, evitar excesso de massa, evitar alimentos processados (geralmente contém alta concentração calórica), dando preferência a alimentos in natura, evitar ou até abolir doces, bebidas açucaradas e fast-foods.

A atividade física deve ser regular – exercício físico – no mínimo 150 minutos por semana, na maior parte dos dias da semana.  Sendo exercício físicos tanto de resistência (caminhada, corridas, ciclismo entre outras) como também resistidos – exercícios com peso.

 

Complicações do Diabetes

 

Portadores de diabetes estão em maior risco de desenvolverem diversos problemas de saúde, podendo vir a ser graves como:

  • Retinopatia diabética – podendo levar a cegueira;
  • Doenças cardiovasculares – causa mais comum de incapacidades e morte nos diabéticos;
  • Pé diabético (ulceração, infecção e amputação) – se dá pela má circulação sanguínea, por danos aos vasos sanguíneos, e nos nervos;
  • Nefropatia diabética (doença renal) – pode levar diminuição da função renal e se agravar, o indivíduo pode necessitar de dialise;
  • Neuropatia diabética (doença nos nervos) – pode afetar qualquer nervo do corpo e as mais comuns e suas consequências são: polineuropatia diabética (a principal nas pernas e pés, diminuindo a sensibilidade, sensação de formigamento, dores intensas de difícil controle), monoreuropatia diabética, disfunção erétil (impotência sexual), gastroparesia (dificuldade na digestão) e muitas outras.

 

Prevenção secundária – complicações do diabetes

 

  • Controle dos níveis de glicose;
  • Controle do colesterol;
  • Controle da pressão arterial;
  • Controle do peso;
  • Parar de fumar;
  • Alimentação apropriada – conforme orientação do médico e nutricionista;
  • Praticar atividades físicas – conforme médico e profissional de educação física;
  • Tomar rigorosamente os medicamentos orientado pelo médico;
  • Cuidados com os pés;
  • Consultas regulares;
  • Exames regulares.

 

Dada a importância do tema, nas próximas publicações vou aprofundar o assunto e farei uma postagem para cada complicação do diabetes e como prevenir e tratar, de maneira mais especifica.

 


Referências:

Global Guideline for Type 2 Diabetes, 2012, IDF – International Diabetes Federation;
IDF – Diabetes Atlas, 2015
Diretrizes Sociedade Brasileira de Diabetes – 2015/2016

Obesidade e suas causas: Por que sou obeso?

Obesidade e suas causas: Por que sou obeso?

A obesidade é uma doença crônica, ou seja, não há cura, há controle, e leva a uma série de prejuízos a nossa saúde, aumentando o risco de desenvolvermos diabetes mellitus, dislipidemias, hipertensão arterial sistêmica, diversos tipos de câncer, doenças osteo articulares entre outras. Por isso deve ser tratada sem preconceitos e por profissionais capacitados.  E hoje sofremos uma pandemia mundial de obesidade, sendo que pela OMS (Organização Mundial de Saúde) o Brasil já apresenta 52% de sua população com sobrepeso.

 

Causas de obesidade:

  • Alimentação;
  • Desregulação do balanço energético por alterações de sinalizadores hormonais, neurotransmissores e de regiões do hipotálamo;
  • Microbiota intestinal;
  • Nível de Atividade Física;
  • Fatores Genéticos;
  • Disruptores endócrinos;
  • Ambiente perinatal (ambiente da criança intra útero durante a gestação e início da vida após o parto) – Programação Metabólica – Epigenética;
  • Outras causas.

 

Alimentação

A manutenção do peso corporal adequado depende de nosso metabolismo (transformações químicas e energéticas do organismo) regulado por um Sistema Nutro-Neuro-Imuno-Endócrino, que mantem a Homeostase Energética (balanço energético), em que por um lado temos o gasto energético –  metabolismo basal, atividade física, termogênese adaptativa que é induzida pelos hormônios, dieta e temperatura e por outro lado, temos a ingestão alimentar por demanda energética e ingestão alimentar associado ao prazer – controle Hedônico.

Nos alimentamos para manter esse balanço energético, por que precisamos produzir energia, obter nutrientes (carboidratos, lipídeos, proteínas, vitaminas, sais minerais e água) para que possamos nos manter vivos e ativos.

E as principais moléculas energéticas são os carboidratos (açúcares ou polímeros de açúcar), Lipídeos (gorduras) e proteínas (polímeros de aminoácidos). Moléculas essas que são armazenadas em nosso corpo em forma de glicogênio, triglicerídeos e proteínas. Portanto, quando a ingestão supera o gasto energético, principalmente os carboidratos e lipídeos ficam estocados em forma de gordura “neutra” – triglicerídeos, aumentando a massa de tecido adiposo, levando a obesidade e suas consequências.

Adicionando a isso, nos últimos séculos os homens desenvolveram técnicas agrícolas e pastoris, havendo assim maior abundância de alimentos. E os alimentos vem sendo cada vez mais processados aumentando assim sua concentração energética.  Portanto, hoje, temos maior oferta de alimentos e esses mais engordativos.

 

Fatores Genéticos

A genética é muito importante, pois a mesma contribui com o equilíbrio da massa corporal e há estudos que sugerem que a herança da obesidade é de 50-90%.  No entanto, mutações não explicam a pandemia de obesidade, pois apresentam baixa frequência, assim a explicação mais plausíveis do ponto de vista genético seriam a seleção natural e “genótipo econômico”, ou seja, nossos ancestrais caçavam para poder se alimentar, nos dias que não tinha sucesso na caça ou algum outro motivo de não conseguirem se alimentar, passavam fome, ficavam doentes, e somente os que conseguiam armazenar mais energia em forma de gordura em seu corpo é que sobreviviam e passavam isso para seus descendentes.

 

Programação Metabólica – Epigenética

A programação metabólica ou epigenética se refere a alterações na expressão de genes para que haja uma adaptação ao meio.  E isso é muito intenso no período gestacional e no início da vida da criança (período perinatal), período pela qual são criados mecanismos adaptativos (modificações epigenéticas) que se dão por fatores de impressão como nutrição, ambiente e hormônios.  Assim, a adaptação a esses fatores, criam a programação para que o indivíduo engorde e seja um obeso no futuro.

Levando isso para a prática, em diversas regiões na segunda guerra mundial, muitas mulheres grávidas passaram por período de restrição alimentar e tiveram crianças com baixo peso ao nascer, e com o passar dos anos foi observado que esse grupo de crianças engordaram mais comparando com outro grupo de crianças filhas de mães que não passaram por restrição alimentar na gestação.  Portanto, baixo peso ao nascer pode levar a obesidade na idade adulta.

A partir disso, começaram a observar em diversos estudos que mães/crianças expostas a restrição alimentar, desmame precoce, obesidade materna, ingestão de alguns alimentos (ex.: linhaça – rica em lignanas), exposição a nicotina, as fumaças, a metais pesados e a alguns fatores hormonais, podem também criar uma programação metabólica favorecendo a obesidade, e não só a obesidade, mas também a muitas outras doenças.  

E a alterações epigenéticas podem passar de uma geração para outra. Portanto temos que estar atentos ao período gestacional e ao início da vida das crianças, para que se evite muitos “obesos doentes”.

 

As outras causas de obesidade

O assunto é muito complexo, extenso e dada a importância do mesmo, vamos descrever as outras causas separadamente, uma em cada publicação, e até as acima já inicialmente comentadas.

Aprofundaremos mais o assunto e como tratar cada uma dessas causas.

 

Muito importante

Apenas com essa publicação inicial sobre obesidade, você já deve ter percebido que essa é uma doença crônica importante, que leva a várias comorbidades e há muitas causas para que a mesma se manifeste no indivíduo.  Portanto, a imperante necessidade do obeso ser avaliado por MÉDICO capacitado, antes de recorrer a qualquer tipo de tratamento.

 


Referências

DAY, S. E.; COLETTA, R. L.; KIM, J. Y.; GARCIA, L. A.; CAMPBELL, L. E.; BENJAMIN, T. R.; ROUST, L. R.; FILIPPIS, E. A. DE; MANDARINO, L. J.; COLETTA, D. K. Potential Epigenetic Biomarkers of Obesity Related Insulin Resistance in Human Whole-blood. Epigenetics, 20 jan. 2017.
MOCHIZUKI, K.; HARIYA, N.; HONMA, K.; GODA, T. Relationship between epigenetic regulation, dietary habits, and the Developmental Origins of Health and Disease theory. Congenital Anomalies, 7 fev. 2017.
MORENO-INDIAS, I.; SÁNCHEZ-ALCOHOLADO, L.; GARCÍA-FUENTES, E.; CARDONA, F.; QUEIPO-ORTUÑO, M. I.; TINAHONES, F. J. Insulin resistance is associated with specific gut microbiota in appendix samples from morbidly obese patients. American journal of translational research, v. 8, n. 12, p. 5672–5684, 2016.
PIETROBELLI, A.; AGOSTI, M.; ZUCCOTTI, G.; THE MENU GROUP. Putting the Barker Theory into the Future: Time to Act on Preventing Pediatric Obesity. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 13, n. 11, p. 1151, 17 nov. 2016.
TUNE, J. D.; GOODWILL, A. G.; SASSOON, D. J.; MATHER, K. J. Cardiovascular consequences of metabolic syndrome. Translational Research, 9 jan. 2017.

Vitamina D, devemos suplementar?

Vitamina D, devemos suplementar?

Sofremos hoje uma epidemia de hipovitaminose D (deficiência de vitamina D na população), e há diversas teorias que explicam a causa, mas a mais plausível talvez seja que após a urbanização o homem esteja menos exposto aos raios solares.

A maior parte da vitamina D é sintetizada na pele por estimulo dos raios solares, e apenas 10 a 20% da quantidade diária adequada ao bom funcionamento do organismo provém da dieta, e as principais fontes de vitamina D alimentar são de origem animal (peixes gordurosos de água fria e profunda como atum, salmão, sardinha, cavala e óleo de fígado de bacalhau) e de origem vegetal, presente nos fungos comestíveis (cogumelos frescos e secos ao sol).

Quanto ao salmão, devemos ressaltar que o de cativeiro, que representa a grande maioria do salmão que consumimos, não tem a mesma quantidade de vitamina D que os que vem do mar, de águas frias e profundas, pois nessas águas os peixes comem zooplânctons e fitoplânctons que são ricos em vitamina D. Os de cativeiro não. A menos que a ração dos peixes de cativeiro sejam enriquecidas com vitaminaD.

Percebe-se então, que nossa alimentação pode ser muito pobre em vitamina D, não conseguindo suprir nossas necessidades.

E além da dieta, a obesidade, exposição solar, atividade física, idade, estado nutricional, lactantes (principalmente as de pele escura e multíparas), cor da pele e a medicação influenciam nos níveis de vitamina D no sangue. E mais, portadores de doença renal crônica e pacientes que se submeteram a cirurgia bariátrica tem maior risco de deficiência da vitamina D.

Importante dizer que a deficiência de vitamina D, se confirmado em novos estudos, poderá ser também fator de risco para muitas doenças crônicas como as cardiovasculares, doenças auto-imunes, síndrome metabólica, câncer, entre outras.
      

Essa vitamina é fundamental para a saúde óssea, portanto não resta dúvida que após a dosagem no sangue da vitamina, se os seus níveis estiverem baixos a mesma deve ser suplementada através de comprimidos ou cápsulas ou gotas.

 

Abaixo, vai um texto mais aprofundado sobre o assunto, uma revisão de literatura, que talvez seja mais interessante para nossos colegas da área de saúde que ainda apresentam dúvidas sobre o tema.

 

TEXTO PERSONALIZADO

O Colesterol aumenta o risco de doenças cardiovasculares

O Colesterol aumenta o risco de doenças cardiovasculares

As dislipidemias são alterações acima do normal, dos níveis de lipídeos (gorduras) no sangue e as mais importantes para nós são os colesteróis e os triglicerídeos.

Níveis altos de colesteróis estão associados ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, como o acidente vascular cerebral – AVC, infarto agudo do miocárdio e outras arteriopatias.  Já o aumento dos triglicerídeos está mais relacionado com pancreatite aguda.

E é importante salientar que o aumento nos níveis de colesterol e triglicerídeos não se dão apenas por alimentação inadequada, pois são patologias associadas a distúrbios metabólicos, que vem se agravando nos últimos anos, principalmente pelo aumento do sedentarismo, obesidade, diabetes, consequente a outras doenças, medicamentos entre outras.  Assim é importante que se saiba que no controle do colesterol, a dieta pode ter pouco impacto, ocorrendo o contrário com os níveis de triglicerídeos que respondem muito bem a dieta.

Daí vemos a importância dos medicamentos para o tratamento das dislipidemias, que diminuem os níveis de colesterol e consequentemente suas comorbidades.

Colesterol e doenças cardiovascularesAs dislipidemias são patologias crônicas que devem ser tratadas/controladas por toda vida, portanto, uma vez indicado o medicamento para controle do colesterol (estatinas), talvez nunca mais você deva parar de fazer uso, pois as indicações desses medicamentos não se dão somente pelos níveis aumentados de colesterol, mas sim pelo risco de doença cardiovascular que você possa ter nos próximos 10 anos. E corroborando com isso, a última diretriz sobre o assunto da Sociedade Americana de Cardiologia indica o medicamento não pelos níveis de colesterol, mas pelo risco de doença cardiovascular do indivíduo, e até a potência do medicamento é baseada nesse risco e não nos níveis de colesterol.

Portanto, JAMAIS suspenda o uso do medicamento hipolipemiante (estatinas) por conta própria, pois mesmo baixando os níveis de colesterol,  a manutenção dos remédios deve ser reavaliada por um profissional competente, pois se o paciente mantiver um alto risco para desenvolver doença cardiovascularar (que não depende somente dos níveis de colesterol), deverá continuar tomando a estatina, pois além de fazer baixar o colesterol, ela também tem efeito anti-inflamatório nas artérias, estabilizando as placas de ateroma e evitando por exemplo o indivíduo que venha a ter um infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular encefálico.

 

Causas primárias de níveis altos de colesterol:

  • Hiperquilomicronemia Familiar;
  • Hipertrigliceridemia Familias;
  • Disbetalipoproteinemia;
  • Deficiência da Lipase Hepática;
  • Hiperlipidemia Familiar Combinada;
  • Hipercolesterolemia Familiar;
  • Apoproteína – B100 Defeituosa Familiar;
  • Hipercolesterolemia Autossômica Recessiva;
  • Doença de Tangier;
  • Deficiência da Lecitina-Colesterol Acil-Transferase (LCAT);
  • Deficiência da Proteína Transferidora do Ester de Colesterol (CETP);
  • Hipoalfaliporoteinemia Familiar;
  • Sitosterolemia;
  • Xantomatose cerebrotendinosa;
  • Deficiência familiar de apo-AI;
  • Outras.

 

São causas secundárias:

  • Obesidade;
  • Diabetes Mellitus;
  • Alcoolismo;
  • Insuficiência Renal Crônica;
  • Lipodistrofia;
  • Doença de estocagem do glicogênio;
  • Disglobulinemias;
  • Terapia estrogênica (TRH);
  • Uso de beta bloqueador;
  • Terapia com Isotretionina;
  • Acromegalia;
  • AIDS;
  • Uso de Inibidores da protease;
  • Hipotireoidismo;
  • Colestase;
  • Síndrome nefrótica;
  • Disglobulinemias;
  • Porfiria Intermitente Aguda;
  • Anorexia nervosa;
  • Hepatoma;
  • Esteróides anabolizantes;
  • Progestágenos;
  • Diuréticos tiazídicos;
  • Cliclosporina;
  • Outras.

 

Qual o Tratamento?

Depende do risco de desenvolver doença cardiovascular no indivíduo e em algumas situações de seus níveis de colesterol e/ou triglicerídeos.

 

Tratamento Não Medicamentoso:

  • redução de peso;
  • reduzir a ingestão de gorduras ricas em ácidos graxos saturados;
  • reduzir a ingestão de ácidos graxos trans;
  • aumentar ingestão de fitoesteróis;
  • ingestão de fibras solúveis;
  • aumento da atividade física;
  • redução da ingestão de bebidas alcoólicas;
  • evitar açúcares simples e bebidas açucaradas;
  • diminuir ingestão de carboidratos;
  • substituir fontes de gorduras em ácidos graxos saturados por ácidos graxos mono e poli-insaturados;
  • Cessar tabagismo.

 

Tratamento Medicamentoso:

  • Estatinas (rosuvastatina, atorvastatina, sinvastatina, pravastatina, entre outras);
  • Resinas (colestiramina, colestipol e colesevelame);
  • Ezetimiba;
  • Fibratos (bezafibrato, ciprofibrato,etofibrato, fenofibrato e genfibrozila);
  • Ácido Nicotínico;
  • Ômega 3;
  • Inibidores da MTP;
  • Mipomerseno (RNA antisense);
  • Inibidores da CETP;
  • Inibidores da PCSK9.

Dicas Importantes:

  • JAMAIS suspenda por conta própria o uso do medicamento para colesterol sem orientação de seu médico;
  • Pratique atividade física;
  • Dê preferência a alimentos integrais e outros ricos em fibras;
  • Evite açúcares ou bebidas açucaradas;
  • Evite gorduras em excesso;
  • Não fume;
  • Durma bem;
  • Cuide de seu psicológico;
  • Faça exames periódicos;
  • Vá a seu médico regularmente, pois o mesmo é o profissional mais capacitado em lhe orientar na promoção de sua saúde, assim como diagnosticar patologias, tratar e reabilitar.

 


Referências:
V Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose;
2013 ACC/AHA Guideline on the Treatment of Blood Cholestero to Reduce Atherosclerotic Cardiovascular Risk in Adults;
Endocrinologia Clínica, 6ª ed., VILAR, Lúcio.