Alimentos Podem Prevenir O Câncer?

Alimentos Podem Prevenir O Câncer?

A morbimortalidade por câncer vem aumentando nos últimos anos, e essa passa a ser uma das maiores preocupações da medicina e do povo em geral. Uma publicação na Revista Global Cancer Statistics em 2011 mostrou que no ano de 2008, houve 12,7 milhões de novos casos no mundo e nesse mesmo ano 7,6 milhões de pessoas morreram por essa patologia, e há previsão de que no ano de 2020 tenhamos 16 milhões de novos casos.

Outra publicação, nos revela que possivelmente mais de 2/3 dos casos de câncer são preveníveis alterando estilo de vida, ou seja, aproximadamente, 30 a 40% dos casos são preveníveis pelo consumo de uma dieta saudável, atividade física regular e manutenção do peso corporal – evitando a obesidade.  Portanto, essa patologia é fruto de estilo de vida inadequado, exposição ambiental a agentes cancerígenos e a genética.

 

PRINCIPAIS FORMAS DE PREVENIR O CÂNCER

  • Atividade física regular;
  • Evitar o ganho de peso/obesidade;
  • Evitar o excesso de bebidas alcóolicas;
  • Suspender o tabagismo;
  • Evitar a radiação UV;
  • Evitar alimentos contaminados por pesticidas;
  • Evitar excesso de gorduras saturadas e carnes vermelhas;
  • Evitar agentes biológicos, químicos e físicos que possam induzir a patologia;
  • Consumo de frutas e vegetais;
  • Consumo de alimentos ricos em substâncias quimiopreventivas.

 

Assim, hoje vamos nos ater a apresentar alguns quimiopreventivos, que são agentes químicos naturais ou sintéticos, que podem ajudar no bloqueio ou prevenção do surgimento do câncer, atuando de diversas formas, como exemplo no stress oxidativo como antioxidantes e mantendo a homeostase (bom funcionamento) celular.  Sendo os alimentos a melhor fonte dessas substâncias, enumeramos abaixo alguns desses agentes químicos e suas principais fontes alimentares:

  • Resveratrol – encontrado na uva e vinho tinto;
  • Curcumina – no açafrão, curry e mostarda;
  • Ácido caféico – frutas, grãos de café e soja;
  • Ácido ferúlico – frutas, soja e arroz;
  • Epigalicatequina-3 galato – chá verde;
  • Ácidos clorogênicos – frutas, grãos de café e soja;
  • Alil-isocianato – couve de Bruxelas;
  • 2-Feneletil-isotiocianato – repolho;
  • Benzil-isotiocianato – agrião;
  • 3-Metilsulfinilpropil isotiocianato – brócolis;
  • Sulforafano – brócolis;
  • Dialil sulfetos – alho e cebola;
  • Alil mercaptana – alho e vegetais;
  • Alil metil trisulfido – alho e vegetais;
  • S-Alil cisteína – alho;
  • Indol-3-carbidol – vegetais crucíferos;
  • Brassinina – vegetais crucíferos;
  • Ácido fólico – vegetais em geral;
  • Vitamina A – carnes;
  • Vitamina E – óleos vegetais;
  • Vitamina C – vegetais e frutas em geral;
  • Vitamina D – laticínios e peixes de águas frias profundas;
  • Cálcio – laticínios e vegetais verdes;
  • Selênio – castanha do Pará e vegetais/frutas/grãos/carnes;
  • Ferro – carne vermelha;
  • Zinco – carne e vegetais em geral;
  • Licopeno – tomates, goiaba, melancia, mamão e damasco;
  • Luteína – vegetais verde-escuro;
  • Betacaroteno – vegetais amarelo-alaranjados;
  • Genisteína – soja e produtos da soja;
  • Quercetina – vegetais e frutas em geral;
  • Rutina – vegetais e frutas em geral;
  • Catequinas – chá verde e chá preto;
  • Antocianinas – uvas e vegetais em geral;
  • Ácido elágico – na romã, diversas nozes e castanhas, morangos entre outros;
  • Lupeol – na manga, azeitona, figueira, morango e uvas vermelhas;
  • Ácido betulínico – amplamente distribuído nos vegetais em geral;
  • Ácidos graxos poli-insaturados ômega 3 – linhaça, canola e óleo de peixe;
  • Capsaicina – pimenta;
  • 6-Gingerol – gengibre;
  • E muitos outros.

 

Conclusão

A melhor maneira de se evitar o câncer e qualquer outra doença é ter uma vida saudável, evitando o estresse, dormindo bem, comendo bastante vegetais, praticar exercício físico, evitar álcool em excesso, suspender o tabagismo, controlar o peso e acompanhamento periódico com médico de sua confiança.

 

Referências:

Os alimentos funcionais e a sua SAÚDE

Os alimentos funcionais e a sua SAÚDE

Estamos vivendo mais, e o aumento da longevidade vem acompanhada de diversas doenças degenerativas, doenças estas que quase sempre exigem o uso de muitos medicamentos para controle. Portanto, tem se despertado, cada vez mais, a busca por alimentos que possa contribuir na prevenção dessas doenças, aumentando a longevidade e melhorando a qualidade de vida. Esses alimentos são os Alimentos Funcionais.

 

O QUE SÃO OS ALIMENTOS FUNCIONAIS?

Os alimentos funcionais são aqueles que em sua composição contêm componentes bioativos que contribuem com a manutenção de nossa saúde. E esses componentes bioativos estão presentes principalmente nos vegetais, sendo este, um dos motivos do estimulo em comer mais verduras, legumes, grãos integrais em detrimento de carnes, alimentos processados e ultra processados.

Com isso, esperamos a melhora da saúde de uma forma geral, a melhora do sistema imune, retardo do envelhecimento, controle e prevenção de diversas doenças ou até mesmo facilitando a recuperação de certos estados patológicos.

 

E quando pensamos em componentes fito químicos/bioativos falamos principalmente de:

  • Terpenos – amplamente distribuído nos vegetais verdes e grãos e apresentam propriedades antioxidantes e anti proliferativas, podendo prevenir o câncer entre outras doenças. E são divididos em Carotenoides e Limonóides, sendo os carotenoides encontrados principalmente em alimentos de cor vermelha, laranja e amarela. Já os limonóides são encontrados em cascas de frutas cítricas;
  • Fitoesteróis – presentes na maioria das plantas, vegetais verdes e amarelos, principalmente nas sementes. Essas substâncias diminuem a absorção de colesterol e há estudos que relatam a sua importância na prevenção de tumores como câncer de mama, próstata e cólon. Os alimentos mais ricos nesse fito químico são: germe de trigo, óleo de farelo de arroz, óleo de gergelim, óleo de milho, óleo de canola e amendoim;
  • Polifenóis – são divididos em ácidos fenólicos, flavonoides, lignanas e estilbenos. Um exemplo de alimento em que é encontrado o ácido fenólico é o café, e há alguns estudos epidemiológicos que evidenciam que o café estaria associado a diminuição do risco de diabetes tipo 2, Doença de Parkinson e doenças hepáticas. E mais recente um estudo demonstrou que a ingestão de café está associada a uma vida mais longa. Um outro grande representante que está no grupo dos estilbenos é o resveratrol, encontrado no vinho tinto, com efeitos anticâncer e protetor cardiovascular. E existem muitos alimentos que entram nesse grupo, com os mais variados benefícios a saúde, mas isso vai dar um texto a parte;
  • Tióis – os tióis estão presentes nos vegetais crucíferos (couve-flor, brócolis, rúcula, couve de Bruxelas entre outros) e alguns estudos demonstram que estão associados a menor risco de muitos tipos de câncer;
  • Indóis – encontrados principalmente no agrião, mostarda, couve de Bruxelas, couve, brócolis e couve flor. E em estudos experimentais exerceram proteção contra câncer de mama e de cólon;
  • Tocoferóis e tocotrienóis – esse grupo está presente nos óleos de oliva, girassol, castanha e grãos integrais. Exercem efeitos antioxidantes, inibe agregação plaquetária e podem promover vasodilatação, assim previnem diversas doenças e em especial doenças cardiovasculares como o infarto agudo do miocárdio.

 

Conclusão

Esse assunto é muito amplo, e no texto foi apresentada apenas uma breve introdução ao tema, mas que fique a dica: coma vegetais, os mais variados possíveis, faça um prato colorido, abuse de todos esses alimentos e é muito importante que se tenha a orientação de um profissional médico capacitado e/ou nutricionista para obter o máximo de benefícios. E cuidado com os modismos encontrados principalmente na internet e divulgados de maneira inadvertida inescrupulosamente até por “profissionais de saúde” e/ou industrias de alimentos/farmacêuticas que visam somente o lucro.

Vegetarianismo

Vegetarianismo

Definição, classificação e cuidados a serem tomados

 

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira “é considerado vegetariano todo aquele que exclui de sua alimentação todos os tipos de carne, aves e peixes e seus derivados, podendo ou não utilizar laticínios ou ovos”.

No entanto, apenas restringir a ingestão de alimentos de origem animal e seus derivados não é Vegetarianismo, vai além disso, pois o vegetarianismo se baseia na ingestão de alimentos vegetais, mas de forma equilibrada.

 

Classificação do Vegetarianismo

  • Ovolactovegetariano: é o vegetariano que utiliza ovos, leite e laticínios na alimentação ou em preparações culinárias.
  • Lactovegetariano: é o vegetariano que não utiliza ovos, mas faz uso de leite e laticínios na alimentação ou em preparações culinárias.
  • Ovovegetariano: é o vegetariano que não utiliza laticínios, mas consome ovos na alimentação ou o ingere por meio de preparações culinárias.
  • Vegetariano estrito: é o vegetariano que não utiliza nenhum derivado animal na sua alimentação. É também conhecido como vegetariano puro ou vegan ou vegano.
  • Vegano: é o indivíduo vegetariano estrito que não consome nenhum alimento de origem animal assim como se recusa a usar componentes animais não alimentícios, como vestimentas de couro, lã e seda, assim como produtos testados em animais.

 

 

Discutindo o Vegetarianismo

O ser humano é onívoro por natureza, assim com a evolução, o homem se tornou capaz de consumir diversos alimentos, e essa adaptação garantiu a perpetuação da espécie.

A ingestão de alimentos de origem animal foi fundamental para a sobrevivência e evolução do ser humano, pois esses alimentos apresentam, de forma geral, maior concentração calórica do que os alimentos de origem vegetal, permitindo nosso organismo realizar depósitos de energia, principalmente em forma de tecido adiposo – gordura, permitindo nossos ancestrais passar por períodos de privação alimentar.

Com o descobrir do fogo, do cozimento, passamos ser capazes de tornar os alimentos vegetais mais digeríveis e consequentemente mais nutritivos e nosso sistema digestório também passou por processos de adaptação, nos tornando aptos a ingerir, digerir e aproveitar nutritivamente grande variedade desses alimentos. 

As proteínas de origem animal são de alto valor biológico, ou seja apresentam todos os aminoácidos essenciais e apresentam grande impacto positivo no balanço nitrogenado, já as proteínas de alimentos vegetais geralmente apresentam deficiência em determinado aminoácido (aminoácido limitante), como exemplo temos os cereais com deficiência relativa no aminoácido lisina, mas quando combinada com leguminosas, que são ricas em lisina, se complementam, por isso a necessidade de se fazer combinações alimentares adequando essa deficiência de aminoácidos. E os vegetais ainda podem ser de mais difícil digestão e conter fatores anti nutricionais, mas tudo isso pode ser corrigido com a melhor combinação entre os alimentos, modo de preparo e se necessária, a suplementação, por isso é fundamental a orientação de profissional médico capacitado e nutricionista para quem deseja adotar o vegetarianismo.

Geralmente os alimentos de origem animal contem maior quantidade de ferro e de forma mais biodisponível quando comparados aos alimentos vegetais, e deve-se ter atenção especial também no cálcio, pois sua quantidade e biodisponibilidade em alimentos vegetais tende a ser muito mais baixa também.  A vitamina B12 é difícil de ser adequada em vegetarianos estritos. Portanto, a suplementação de ferro, cálcio, vitamina B12 e zinco pode ser necessária e deve ser monitorada por toda a vida do vegetariano, pois em cada etapa da vida a demanda pode ser diferente, como em crianças, adultos homens e mulheres, gestantes, idosos e ainda portadores de alguma patologia.

Diversos estudos demonstram grandes benefícios que dieta vegetariana pode trazer a nossa saúde, no entanto essa dieta quando desequilibrada pode ter efeito inverso, trazendo grandes prejuízos a saúde, assim como a dieta onívora também desequilibrada.

 

Ferro e Vitamina B12

A absorção do ferro e da vitamina B12 estão diretamente ligadas a acides estomacal, e os idosos apresentam menor acides no estomago – acloridria, e também o uso de antiácidos pode comprometer a absorção. E a anemia perniciosa, que é doença autoimune, pela diminuição da produção de fator intrínseco, compromete a absorção de vitamina B12.  A absorção de vitamina B12 ocorre no íleo terminal, portanto qualquer patologia ou cirurgia que comprometa essa região, pode comprometer também toda absorção da vitamina B12.

A falta de vitamina B12 pode levar a anemia, demência e a sintomas neuropsiquiátricos, e o ferro em anemia, fraqueza, cansaço, perversão alimentar, diminuição da cognição entre outras.

Portanto, após a avaliação médica de todas essas variáveis, história do indivíduo, exame físico e dosagem desses elementos e outros marcadores de deficiência, o mesmo decidir a necessidade da suplementação/reposição ou não, e se suplementar/repor, fará de forma mais adequada.

 

Conclusão

A dieta vegetariana pode ser muito benéfica a nossa saúde, no entanto deve ser equilibrada, pois do contrário pode ter efeito inverso, levando a sérios prejuízos à saúde. Portanto, é fundamental o acompanhamento por profissional médico capacitado para que se possa aproveitar todos os benefícios do vegetarianismo.

 

Referências

American Dietetic Association. Dietitians of Canada. Position of the American Dietetic Association and Dietitians of Canada: Vegetarian diets. Journal of the American Dietetic Association, 2003. 103(6): p.748-65

SLYWITCH, E. Guia Alimentar de Dietas Vegetarianas para Adultos. 2012. Disponível em: <http://www.svb.org.br>.

Obesidade: A Série

Obesidade: A Série

O diagnóstico da obesidade é relativamente fácil, no entanto descobrir a causa ou causas da obesidade nem sempre é tão fácil, pois a mesma pode ter muitas causas, isoladas ou juntas provocando a doença.  E há muito preconceito até por parte dos profissionais de saúde até no diagnóstico da “Doença Obesidade”, talvez até por desconhecimento, muitos ainda a consideram como um distúrbio alimentar ou comportamental e não uma doença.

E infelizmente, muitas vezes por isso, o tratamento dessa doença acaba sendo retardado, levando a prejuízos a saúde as vezes até irreversíveis.  Portanto, a mesma deve ser encarada com muita seriedade, sem preconceitos e a maioria tratada com dieta, atividade física, medicamentos e até procedimentos cirúrgicos.

Como é doença, deve ser diagnosticada e tratada por profissional médico, o qual por vezes vai solicitar apoio nutricional para o profissional nutricionista, atividade física ao profissional treinador físico, entre outros profissionais da área de saúde ou não.

 

Prevenção

 

Quanto a prevenção da obesidade, deve ser estimulada, mas que fique claro que não é fácil, pois em mais de 60% das vezes é causada por fatores genéticos, associadas ou não a fatores comportamentais e ambientais. Mas felizmente, apesar da hereditariedade ter papel importante, ela não é destino.

O tratamento como já mencionado acima é complexo, pois como geralmente há muitas causas o tratamento envolve várias vertentes dependendo dessas causas. E que fique muito claro, por ser uma doença crônica, não há cura, há controle, portanto, como o diabetes, a hipertensão e outras doenças crônicas deve tratada por toda vida do contrário está fadada ao fracasso.

 

Série sobre OBESIDADE

 

Hoje fiz uma breve introdução ao assunto e nas próximas semanas, semanalmente, vou publicar artigos sobre obesidade, a epidemiologia da mesma, quantos obesos há no mundo, onde há mais obesos, quais as causas da obesidade, como tratar cada causa, e vou falar ainda sobre dietas mais adequadas, a importância da atividade física, sobre todos os medicamentos e suas indicações, as cirurgias e suas indicações, mitos sobre a obesidade e o emagrecimento, a questão estética, a questão psicossocial, as complicações da obesidade como apneia obstrutiva do sono, doenças pulmonares, esteatose hepática (gordura no fígado), doenças gástricas e intestinais, infertilidade, depressão, acidente vascular encefálico (derrame cerebral), doenças do coração, pré diabetes, diabetes e dislipidemias (descontrole do colesterol e triglicerídeos).

Vou falar da expectativa de vida no obeso, emagrecer e ser emagrecido, síndrome dos ovários policísticos que é uma causa importante de obesidade, os hormônios na obesidade, a evolução dessa doença na história, como avaliar a quantidade de gordura que temos no corpo, como avaliar a quantidade de energia que gastamos em um dia ou determinada atividade física, as síndromes genéticas causadoras da obesidade, a importância da prevenção na gestação, o prazer em comer, por que temos prazer em comer e por que perdemos o controle e comemos além do necessário, o papel dos alimentos, a microbiota intestinal (bactérias no intestino) causadoras da obesidade, a resistência insulínica piorando e agravando a doença, o balão intragástrico e sua importância no tratamento, os medicamentos que já estão no mercado e os medicamentos que estão em fase de teste e devem entrar no mercado nos próximos meses/anos.

Enfim, vamos fazer uma série sobre obesidade e vamos permanecer várias semanas falando sobre tudo isso mencionado acima e muito mais, portanto se você tem obesidade ou sobrepeso, ou tem alguém na família, ou tem algum amigo com esse problema e suas complicações como descontrole do colesterol, diabetes entre outras, convido a assinar o NUTRONEWS em nosso site e passar para familiares, amigos e colegas, pois vamos falar de tudo, do mais antigo ao mais novo e até o provável futuro desse problema.

Estamos falando da doença e suas consequências, mas vamos tentar também levar as soluções existentes.  Portanto, vamos tentar promover saúde e todos vocês fazem parte dessa corrente disseminando o conhecimento para um mundo melhor.

 

Importante

 

Compartilhem, recortem, republiquem e façam o que quiserem com os textos que vou publicar, pois o importante é todos nós tentarmos interromper o avanço dessa grave e terrível doença, pois do contrário, lamentavelmente, nossos filhos vão viver menos do que nós.

Vou mostrar também que há prova disso se não trabalharmos intensamente.

Emagrecimento Definitivo Existe?

Emagrecimento Definitivo Existe?

Há uma pandemia de obesidade no mundo, e a mesma aumenta o risco de diversas doenças como diabetes, alguns tipos de câncer, doenças articulares, aumento do colesterol e triglicerídeos, aumento do risco de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, hipertensão arterial sistêmica entre muitas outras.

Portanto, a obesidade deve ser tratada com muita seriedade, com diversas “armas” e sem preconceito. E por ser uma doença crônica, não há cura, somente há o controle, como as outras doenças crônicas:  hipertensão arterial sistêmica, diabetes, em que o indivíduo vai tomar medicamentos para o resto de sua vida, além da mudança do estilo de vida (alimentação adequada e atividade física).

E somente a mudança de estilo de vida pode não ser tão eficaz, e até impraticável para certas pessoas.  E os medicamentos que temos hoje no mercado são caros e muitas vezes não são tão efetivos e a cirurgia bariátrica tem indicações precisas, não devendo ser prescrita para todos os obesos.

Portanto, identificar dietas capazes de produzir um emagrecimento significativo e duradouro é obrigatório, assim podemos lançar mão de uma dieta chamada VLCD (Very Low Calorie Diet) – dieta de muito baixas calorias, pois é uma dieta que resulta em emagrecimento rápido, mais consistente e com baixa perda de massa magra, segundo alguns estudos.

A VLCD é uma dieta com muito poucas calorias (600 a 800 Kcal/dia) e cetogênica, em que é usada proteína de alto valor biológico, vegetais, gordura (azeite de oliva) e no máximo 50 gramas de carboidratos para homens e 30 gramas para mulheres.  Assim, como a ingestão de carboidratos é muito pequena, nosso organismo começa a usar gorduras como fonte de energia, e na metabolização dessas gorduras há grande produção de cetoácidos (por isso chamada dieta cetogênica), os quais atuam na área da fome em nosso sistema nervoso central, diminuindo ou quase abolindo nosso apetite, proporcionando emagrecimento rápido.

Diversos exames são feitos antes e durante a dieta, e o indivíduo tem de fazer uso de poli vitamínicos, minerais e ômega 3 para assegurar que está ingerindo quantidade adequada de nutrientes para manutenção de sua saúde. E associado a isso, atividade física e reeducação alimentar, sendo a última já em fase de readaptação fisiológica e manutenção.

Essa dieta por sua complexidade e levar a intensa modificações em nosso metabolismo, deve ser indicada e prescrita somente por médicos capacitados.

 

Conclusão

A VLCD é uma grande “arma” contra a obesidade e deve ser conduzida por um médico dentro de uma equipe multidisciplinar (médico, nutricionista e educador físico) para que possamos ter o maior sucesso possível no tratamento, preservando e ganhando saúde.

 

Referência Bibliográfica:

MORENO, B.; BELLIDO, D.; SAJOUX, I.; GODAY, A.; SAAVEDRA, D.; CRUJEIRAS, A. B.; CASANUEVA, F. F. Comparison of a very low-calorie-ketogenic diet with a standard low-calorie diet in the treatment of obesity. Endocrine, v. 47, n. 3, p. 793–805, 2014.

MORENO, B.; CRUJEIRAS, A. B.; BELLIDO, D.; SAJOUX, I.; CASANUEVA, F. F. Obesity treatment by very low-calorie-ketogenic diet at two years: reduction in visceral fat and on the burden of disease. Endocrine, v. 54, n. 3, p. 681–690, 2016.

 

Alimentos Orgânicos, Transgênicos, In Natura, Processados e outros

Alimentos Orgânicos, Transgênicos, In Natura, Processados e outros

Observamos muitas pessoas se perguntando qual a diferença de diet x light? Qual a vantagem de um e de outro? E os outros alimentos, os orgânicos, os transgênicos, o que são? Os alimentos que fazem bem a saúde, os in natura, o que significa e quais são?

Essas e outras perguntas são recorrentes no dia a dia de qualquer profissional de saúde e em muitos casos os próprios profissionais de saúde não sabem responder, contudo é de fundamental importância que nossos pacientes conheçam o significado de cada um desses alimentos, suas vantagens e desvantagens.

Quando conversamos com alguém obeso, ou um diabético ou outro paciente com qualquer outra patologia, falamos que os mesmos devem dar preferência em consumir os alimentos in natura, integrais, com baixo índice glicêmico entre outros. Mas será que o paciente sabe identificar cada um desses alimentos.  E também quando entramos em um supermercado ou um hortifrúti e nos deparamos com tantos tipos de alimentos, sabemos identificar a diferença entre eles e quais trazem benefícios ou malefícios a nossa saúde?!

Alimento é toda substância ou mistura de substâncias, no estado sólido, líquido, pastoso ou qualquer outra forma adequada, destinadas a fornecer ao organismo humano os elementos normais à sua formação, manutenção e desenvolvimento (ANVISA, 1969).

Agora nos resta conversar sobre os tipos de alimentos e suas vantagens/desvantagens.

 

1) Alimentos Light x Diet x Convencional

  • Alimentos Light – são alimentos com redução mínima de 25% de qualquer de seus elementos, como calorias, açúcar, sal, gordura e carboidrato. Como exemplo temos a maionese light em que há redução de gordura ou caloria e o pão light em que há redução de calorias. Também não há evidência benefícios do uso desses alimentos por indivíduos saudáveis.

Alimentos Light, Diet e Convencional

  •  Alimentos Diet – são alimentos que são usados em dietas de restrição, para determinadas patologias, devendo ter total ausência de determinado elemento ou nutriente. Como exemplo podemos citar alimentos sem fenilalanina para pacientes com fenilcetonúria, alimentos sem glúten para pacientes portadores de doença celíaca, alimentos sem sacarose para pacientes com diabetes e leite desnatado em que é retirada toda a gordura.  Não evidências de benefício do uso desses alimentos em indivíduos saudáveis.

 

  • Alimento Convencional – são alimentos que em sua produção recebem adubos químicos, agrotóxicos, uso de herbicidas em seu manejo e passam por uma série de processos de transformação até chegar ao consumidor.

 

 

2) Alimentos Orgânicos x Agroecológicos x Naturais

  • Alimento Orgânico – são alimentos produzidos sem adubos químicos, sem agrotóxicos, a propriedade rural produtora tem de ser registrada, pagar impostos, tem de ter certificação de orgânico e isso tem um custo. São frutas, hortaliças, grãos, laticínios e carnes produzidos com respeito ao meio ambiente e sem utilizar substâncias que possam colocar em risco a saúde dos produtores e consumidores. Como desvantagem, geralmente são alimentos mais caros, pois apresentam alto custo para serem produzidos;

Alimentos orgânicos

  • Alimento Agroecológico – são alimentos produzidos por pequenos produtores, sem uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos, mas não tem certificação de orgânico, mas geralmente fazem parte de associações de produtores agroecológicos.  Talvez dos já mencionados, seja o mais sensato para ser consumido, pois são os que estão mais próximos dos consumidores, principalmente para pessoas que moram no interior, podem até conhecer essas propriedades e sua idoneidade. Esses alimentos são benéficos a nossa saúde e possuem melhor custo benefício em relação aos alimentos orgânicos;

 

  • Alimento Natural ou In Natura – toda verdura, fruta ou legume em sua forma natural independentemente do sistema em que foram produzidos. Esses alimentos trazem muitos benefícios a nossa saúde.

 

 

3) Alimentos Processados

  • Alimentos Minimamente Processados – esses alimentos sofrem modificações mínimas. São higienizados, cortados e embalados. Como exemplo temos verduras e legumes selecionados pela indústria e os grãos secos, polidos ou moídos e leite pasteurizado.

 

  • Alimentos Processados – são alimentos minimamente processados que já sofrem adição de sal e açúcar. Como exemplo temos os alimentos em conserva, queijos e pães.

Alimentos processados

  • Alimentos Ultra processados – são alimentos que sua fabricação passa por diversas etapas, com adição de conservantes, corantes, açúcar e ou sal, aromatizantes entre outros. Como exemplo temos os refrigerantes, os biscoitos recheados, macarrão instantâneo.  Não é recomendado o consumo desses alimentos, pois trazem diversos malefícios a nossa saúde e ainda costumam ter alta concentração calórica, sendo altamente engordativos.

 

 

4) Alimentos Transgênicos e Modificados

  • Alimentos Transgênicos – são aqueles alimentos em que foi introduzido em seus genes um novo gene ou fragmentos de DNA. Ainda não se sabe se podem trazer prejuízos a saúde.

Alimentos transgênicos - geneticamente modificados

  • Alimento Hidropônico – são alimentos cultivados na água, em ambiente artificial e recebem nutrientes artificiais para seu desenvolvimento.

 

  • Alimentos Enriquecidos – são alimentos que recebem nutrientes para aumentar seu valor nutritivo. Como exemplo temos farinhas enriquecidas com ferro e ácido fólico para prevenção de anemia carencial. Outro exemplo clássico e usado em larga escala no Brasil é a adição de iodo ao sal de cozinha para que se evite patologias na tireoide, pois nosso pais é muito pobre em iodo.

 

5) Outros Tipos de Alimentos

  • Alimento Funcional – são alimentos que contêm substâncias benéficas a saúde. Como exemplo temos a linhaça que é rica em fibras, lignanas que são fitos esteróis que diminuem a absorção de colesterol no intestino e ainda contem boa quantidade de ácidos graxos ômega 3 benéfico em diversas circunstâncias em nossa saúde.

Alimentos Funcionais e PANC

  • Alimentos Fonte – são alimentos naturalmente ricos em determinado nutriente e se destacam por isso. Como exemplo temos os laticínios que são ricos em cálcio, as carnes que são ricas em ferro heme e abacate rico em gorduras composta por ácidos graxos monoinsaturados.

 

  • Alimentos PANCs – esse é um novo conceito de alimentos em que significa “Plantas Alimentícias Não Convencionais”. Não são alimentos convencionais, geralmente são plantas nativas encontradas facilmente na natureza. Como exemplo temos o broto de bambu, o maxixe em algumas regiões e muitas outras.

 

 

Conclusão

Após o exposto acima, entendendo o conceito de cada tipo de alimento, podemos chegar à conclusão que os alimentos mais benéficos a nossa saúde e que devemos dar preferência são os in natura, orgânicos ou agroecológicos, alimentos fontes, alimentos funcionais e PANCs.  Sendo que para maior benefício o consumo dos dois últimos deve ser orientado por profissionais capacitados na área.

Estudos mais recentes, vem evidenciando que o grande vilão de nossa alimentação são os açucares e junto com ele, os aromatizantes, corantes, conservantes e muitas outras substâncias.  Portanto, que fique a mensagem principal: evitem ingerir bebidas açucaradas, doces, alimentos processados e ultra processados, pois são eles que podem acabar com sua saúde !!!!

 

Você tem alguma dúvidas sobre tipos de alimentos? FALE COMIGO. Envie uma pergunta através do formulário de contato ou deixe um comentário abaixo.