Menopausa: Terapia Hormonal

Menopausa: Terapia Hormonal

A palavra menopausa surgiu em uma obra escrita por um médico francês, Charles Gardanne, no ano de 1816, e representa a união dos termos ménès e pause, sendo traduzido para mês e fim da menstruação.  E essa parada da menstruação é um marco muito importante na vida das mulheres, pois há profundas mudanças, tanto no nível psíquico como físico, mudanças essas que podem afetar levemente ou intensamente a qualidade de vida.

E a menopausa ocorre em consequência da falência ovariana fisiológica, com a queda dos hormônios estrógenos. Ela é caracterizada após 12 meses sem menstruar.  Já o período anterior a menopausa em que há irregularidade menstrual é chamada climatério, período no qual a mulher já pode começar a sofrer os efeitos da redução dos hormônios estrógenos.

 

Manifestações Clínicas que Podem Surgir na Menopausa

  • Irregularidade menstrual;
  • Sangramento uterino alterado;
  • Parada da menstruação;
  • Ressecamento vaginal;
  • Sangramento após a relação sexual;
  • Dispareunia – dor na relação sexual;
  • Incontinência urinária;
  • Infecções urinárias de repetição;
  • Ressecamento e enrugamento da pele decorrentes de modificações do colágeno;
  • Aumento da fragilidade capilar;
  • Hirsutismo facial – pelos na face em regiões comuns nos homens;
  • Irritabilidade;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Diminuição da libido (desejo sexual);
  • Insônia;
  • Diminuição da memória;
  • Fogachos (ondas de calor);
  • Aumento do colesterol ruim (LDL), diminuição do colesterol bom (HDL), aumentando o risco para doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico;
  • Aumento da gordura abdominal (da barriga) e diminuição da massa muscular, aumentando o risco de diabetes entre outras;
  • Osteopenia/osteoporose;
  • Osteoartrite (artrose);
  • E outras;

 

Benefícios da Terapia Hormonal da Menopausa

Os benefícios são inúmeros, mas os mais importantes são:

  • o alivio dos fogachos (ondas de calor);
  • melhora da secura vaginal;
  • melhora da massa óssea;
  • redução da insônia e das mudanças de humor;
  • redução do risco de diabetes;
  • menor acúmulo de gordura abdominal;
  • diminuição do risco de câncer colorretal, entre muitos outros benefícios.


No entanto, essa terapia também pode levar a prejuízos a saúde quando mal indicada e feita por profissional não capacitado
, pois pode em determinados grupos de mulheres e dependendo também dos hormônios utilizados, aumenta-se o risco de doença cardiovascular, câncer de mama e tromboembolismo.

Nunca é demais lembrar que somente profissionais qualificados devem prescrever essa terapia para que você obtenha somente os benefícios.

 

Tratamento

A mulher, antes do tratamento, deve passar por uma boa avaliação médica, com a realização de diversos exames. E a terapia é:

  • Alimentação saudável;
  • Exercício físico;
  • Hormônio estrógeno;
  • Hormônio progestógeno – se a mulher tiver útero;
  • Para mulheres em que há contra contra – indicação ao uso de estrógeno: tibolona, raloxifeno e fitoestrógenos (fraca evidência de alguma eficácia);
  • Antidepressivos e outros medicamentos de pouca evidência da eficácia.

 

 Dica Mais Importante de Todas!!

  1. SOMENTE realize terapia com profissionais capacitados, pois terapia com hormônio não é brincadeira. Pode oferecer diversos benefícios, mas com os hormônios errados ou mal indicada, pode levar a sérios prejuízos a sua saúde;
  2. CORRAM dos profissionais que mandam manipular os hormônios em farmácias de manipulação, pois a dose desses hormônios é muito baixa, sendo muito difícil ser quantificado. A pureza deve ser alta;
  3. E mais uma vez, CORRA QUILÔMETROS de profissionais que LOGO NO INÍCIO da terapia já queiram te prescrever TESTOSTERONA!!!!

 

Referência:

Endocrinologia Feminina e Andrologia. Ruth Clapauch. Segunda Edição. 2016.

 

Síndrome dos Ovários Policísticos

Síndrome dos Ovários Policísticos

Mais uma causa de obesidade e outras doenças.

 

Muitas mulheres apresentam obesidade, diabetes, infertilidade e são tratadas de maneira inadvertida, tratando somente as consequências, pois não tiveram o diagnóstico de Síndrome dos Ovários Policísticos, a qual deve ser tratada de uma maneira toda especial.

Essa é a patologia endócrina que mais acomete as mulheres no período reprodutivo e está associada a resistência insulínica (podendo evoluir para diabetes), hipertensão arterial sistêmica, obesidade, dislipidemia, infertilidade, maior risco de doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico entre outras. E a causa da SOP é multifatorial, tendo um padrão de herança poligênica associada a fatores ambientais como má alimentação, sedentarismo e muitas outras.

O diagnóstico pelo Consenso de Rotterdam – 2003 se dá pela presença de, pelo menos, dois dos seguintes itens:

  • Disfunção menstrual;
  • Hiperandrogenismo – quadro que cursa com aumento de hormônios sexuais masculinos – clínico e/ou laboratorial;
  • Ovários policísticos à ultrassonografia.

E quando se fala em ovários policísticos à ultrassonografia, existe alguns critérios, sendo o aumento do volume ovariano em mais de 10 ml e/ou presença de 12 ou mais folículos medindo entre 2 e 9 mm de diâmetro em, pelo menos, um dos ovários. E o exame deve ser realizado entre o 3-5 dia do ciclo menstrual e a mulher não deve estar em uso de anticoncepcional oral.

E com aumento dos androgênios (aumento dos hormônios sexuais masculinos) pode haver hirsutismo (crescimento de pelos em locais comuns em homens), acne, alopecia e outras.

 

Consequências da Síndrome dos Ovários Policísticos

  • Obesidade;
  • Hirsutismo (aparecimento de pelos em locais comuns em homens);
  • Acne;
  • Amenorreia;
  • Oligomenorréia;
  • Infertilidade;
  • Abortamento recorrente espontâneo;
  • Apneia do Sono;
  • Intolerância à glicose;
  • Alterações hormonais;
  • Hipertensão arterial sistêmica;
  • Aumento do risco de câncer de útero e mama;
  • Diabetes melitos tipo 2;
  • Dislipidemia (aumento do colesterol e/ou triglicerídeos);
  • Aumento de risco de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico;
  • Esteatose hepática (gordura no fígado);
  • Pode se encontrar também Acantose Nigricans que são manchas escuras mais comuns em regiões de dobras.

 

Tratamento

  • Controle da SOP;
  • Tratar o hirsutismo;
  • Normalizar a menstruação;
  • Promover fertilidade na mulher que desejar engravidar.

Sendo o principal pilar do tratamento a Mudança no Estilo de Vida adotando dieta hipocalórica, pobre em gorduras saturadas, com pouco sódio e exercícios físicos.

E os medicamentos usados no tratamento podem ser:

  • Anticoncepcionais orais com progestágenos como drosperinona ou ciproterona ou clormadinona;
  • Espironolactona;
  • ciproterona;
  • Flutamida (evitada por ser mais tóxica ao fígado);
  • Finasterida;
  • Citrato de Clomifeno – no tratamento da infertilidade;
  • Gonadotrofinas – nos casos não responsivos ao Clomifeno e metformina;
  • Metformina;
  • Inibidores de Aromatase como o Letrozol;

 

Conclusão

Essa patologia muitas vezes deixa de ser diagnosticada ou as vezes é diagnosticada de forma incorreta em quem não apresenta o problema ou ainda é diagnosticada de maneira correta, mas tratada de forma inadequada. Portanto, procure o profissional médico mais adequado para isso, pois do contrário as consequências poderão ser desastrosas.

 

 

Hipotireoidismo e Obesidade

Hipotireoidismo e Obesidade

Essa é uma dúvida que muitas pessoas que chegam em nosso consultório apresentam, essa relação hipotireoidismo e obesidade. E é bom que fique claro logo de início que hipotireoidismo é a diminuição na produção de hormônios tireoidianos na glândula tireoide, pois essa é outra dúvida que apresentam.

Agora, então, vamos desmistificar a pergunta: Hipotireoidismo engorda?  Não, o hipotireoidismo não leva a um quadro de obesidade, no máximo propicia ganhar discretamente algum peso.  No entanto, o hipotireoidismo, quando não tratado, pode dificultar um pouco a perda de peso, pois como a produção do hormônio da tireoide está diminuído, a nossa taxa metabólica basal também diminui e consequentemente o nosso gasto energético.

Então, vamos aproveitar e entender um pouco sobre a tireoide, sobre o hipotireoidismo, suas causas e como isso pode impactar em nossa saúde.

 

A glândula Tireoide

A glândula tireoide fica na parte anterior de nosso pescoço, estimulada por um peptídeo (proteína) chamado TSH, ela produz os hormônios tireoidianos que são o T4 (tetraiodotironina) e T3 (tri-iodotironina).  Esses hormônios são responsáveis por grande parte de todo controle de nosso metabolismo, assim o hipotireoidismo – diminuição da produção dos hormônios tireoidianos – pode levar a sérios prejuízos a nossa saúde. Pois, praticamente todas as células de nosso corpo sofrem efeito dos hormônios tireoidianos, e os mesmos são essenciais para o crescimento e desenvolvimento normais, controlam a intensidade do metabolismo, agindo em praticamente todos os órgãos do nosso corpo.

 

Causas de Hipotireoidismo Primário

O hipotireoidismo primário, é aquele em que por algum problema na própria glândula tireoide há diminuição na produção dos hormônios tireoidianos:

  • Tireoidite crônica autoimune (Hashimoto) – causa mais comum;
  • Tratamento do hipertireoidismo com radio iodo ou tireoidectomia;
  • Radioterapia externa cervical;
  • Bócio endêmico – em áreas com deficiência grave de iodo;
  • Doenças infiltrativas como amiloidose, sarcoidose e hemocromatose, cistinose e esclerose sistêmica progressiva;
  • O excesso de iodo também pode levar a um hipotireoidismo transitório;
  • Drogas que bloqueiam a síntese e/ou liberação dos hormônios tireoidianos como o lítio, contrastes iodados e amiodarona;
  • Tireoidite subaguda – granulomatosa e linfocítica;
  • Tireoidite pós-parto – como a acima;
  • Tireoidite de Riedel – fibrose da tireoide.

 

Sinais e Sintomas que o hipotireoidismo pode apresentar

  • Acumulo de glicosaminoglicanas na pele e outros tecidos levando a mixedema (pele espessada e aparência inchada), macroglossia (inchaço com aumento de tamanho da língua) e voz rouca por espessamento das membranas mucosas da faringe e laringe;
  • Pele áspera;
  • Pele seca;
  • Pele amarelado por acumulo de carotenos;
  • Edema palpebral;
  • Sudorese diminuída;
  • Madarose – perda do terço distal da sobrancelha;
  • Queda de cabelos;
  • Cabelos ressecados e quebradiços;
  • Fragilidade da unha;
  • Intolerância ao frio, pele fria e pálida;
  • Derrame pericárdico;
  • Derrame pleural;
  • Aumento dos triglicerídeos e colesterol;
  • Anorexia;
  • Constipação intestinal;
  • Fadiga muscular, mialgias e cãibras;
  • Raciocínio lento;
  • Déficit de concentração;
  • Fala lenta e arrastada;
  • Perda de memória;
  • Letargia e apatia;
  • Demência;
  • Síndrome do túnel do carpo;
  • Aumento do sangramento menstrual e irregularidade do mesmo;
  • Infertilidade feminina, diminuição de libido e aborto espontâneo;
  • No homem – diminuição do libido, impotência e diminuição da produção de espermatozoides;
  • Anemia.

 

Tratamento do hipotireoidismo primário

O tratamento do hipotireoidismo primário é a reposição do hormônio tireoidiano, a levotiroxina.  Tratamento esse, que na maioria das vezes é tão simples, e pode evitar e reverter uma série de problemas.

 

Dica importante

Há pessoas em que tem maior risco de desenvolver hipotireoidismo e outras que podem ter um prejuízo mais intenso de sua saúde e desenvolvimento, principalmente crianças e gestantes.

Portanto, digo com todo carinho, que sempre tenha um médico de confiança, capacitado, em que você o tenha como referência, para que lhe acompanhe para o resto de sua vida, que possa olhar para você como um todo, promovendo sua saúde e bem-estar físico psíquico, assim como, prevenir doenças, tratar e reabilitar, para que tenha uma vida mais longeva e com qualidade.

Diabetes: importância, prevenção e complicações

Diabetes: importância, prevenção e complicações

Consideramos o diabetes mellitus tipo 2 uma das maiores emergências no mundo na área de saúde, pois a cada ano temos aumento importante de indivíduos com essa doença, levando a grande impacto em diversos níveis.

Segundo a IDF (International Diabetes Federation), é estimado que 415 milhões de adultos no mundo tenham diabetes, e um número aproximado está em alto risco de desenvolver a doença, pois está diretamente ligado ao aumento do sedentarismo, da obesidade e da longevidade.

Cerca 80% desses indivíduos vivem em países em desenvolvimento. E há outra parcela de milhões de pessoas permanecem sem o diagnóstico, pois é uma doença silenciosa, na maioria das vezes apresentando sinais e sintomas em fase tardia, por isso todos devem estar bem atentos na prevenção e diagnóstico precoce.  

Consequentemente, o diabetes e suas comorbidades são uma das principais causas de morte na maioria dos países, gerando um grande impacto econômico para os sistemas de saúde e para os portadores da doença, pois geram altos custos com medicamentos e internações, dado principalmente pelas muitas complicações. Diminui ainda, de forma importante, capacidade de trabalho, qualidade de vida e autonomia dos portadores da doença.

 

Prevenção primária – do início do diabetes

 

Deve estar focada na mudança de estilo de vida, como controle do peso, alimentação saudável e prática de atividade física.

A alimentação deve ser sem excesso de calorias, rica em fibras, frutas, vegetais folhosos, evitar excesso de massa, evitar alimentos processados (geralmente contém alta concentração calórica), dando preferência a alimentos in natura, evitar ou até abolir doces, bebidas açucaradas e fast-foods.

A atividade física deve ser regular – exercício físico – no mínimo 150 minutos por semana, na maior parte dos dias da semana.  Sendo exercício físicos tanto de resistência (caminhada, corridas, ciclismo entre outras) como também resistidos – exercícios com peso.

 

Complicações do Diabetes

 

Portadores de diabetes estão em maior risco de desenvolverem diversos problemas de saúde, podendo vir a ser graves como:

  • Retinopatia diabética – podendo levar a cegueira;
  • Doenças cardiovasculares – causa mais comum de incapacidades e morte nos diabéticos;
  • Pé diabético (ulceração, infecção e amputação) – se dá pela má circulação sanguínea, por danos aos vasos sanguíneos, e nos nervos;
  • Nefropatia diabética (doença renal) – pode levar diminuição da função renal e se agravar, o indivíduo pode necessitar de dialise;
  • Neuropatia diabética (doença nos nervos) – pode afetar qualquer nervo do corpo e as mais comuns e suas consequências são: polineuropatia diabética (a principal nas pernas e pés, diminuindo a sensibilidade, sensação de formigamento, dores intensas de difícil controle), monoreuropatia diabética, disfunção erétil (impotência sexual), gastroparesia (dificuldade na digestão) e muitas outras.

 

Prevenção secundária – complicações do diabetes

 

  • Controle dos níveis de glicose;
  • Controle do colesterol;
  • Controle da pressão arterial;
  • Controle do peso;
  • Parar de fumar;
  • Alimentação apropriada – conforme orientação do médico e nutricionista;
  • Praticar atividades físicas – conforme médico e profissional de educação física;
  • Tomar rigorosamente os medicamentos orientado pelo médico;
  • Cuidados com os pés;
  • Consultas regulares;
  • Exames regulares.

 

Dada a importância do tema, nas próximas publicações vou aprofundar o assunto e farei uma postagem para cada complicação do diabetes e como prevenir e tratar, de maneira mais especifica.

 


Referências:

Global Guideline for Type 2 Diabetes, 2012, IDF – International Diabetes Federation;
IDF – Diabetes Atlas, 2015
Diretrizes Sociedade Brasileira de Diabetes – 2015/2016

Obesidade e suas causas: Por que sou obeso?

Obesidade e suas causas: Por que sou obeso?

A obesidade é uma doença crônica, ou seja, não há cura, há controle, e leva a uma série de prejuízos a nossa saúde, aumentando o risco de desenvolvermos diabetes mellitus, dislipidemias, hipertensão arterial sistêmica, diversos tipos de câncer, doenças osteo articulares entre outras. Por isso deve ser tratada sem preconceitos e por profissionais capacitados.  E hoje sofremos uma pandemia mundial de obesidade, sendo que pela OMS (Organização Mundial de Saúde) o Brasil já apresenta 52% de sua população com sobrepeso.

 

Causas de obesidade:

  • Alimentação;
  • Desregulação do balanço energético por alterações de sinalizadores hormonais, neurotransmissores e de regiões do hipotálamo;
  • Microbiota intestinal;
  • Nível de Atividade Física;
  • Fatores Genéticos;
  • Disruptores endócrinos;
  • Ambiente perinatal (ambiente da criança intra útero durante a gestação e início da vida após o parto) – Programação Metabólica – Epigenética;
  • Outras causas.

 

Alimentação

A manutenção do peso corporal adequado depende de nosso metabolismo (transformações químicas e energéticas do organismo) regulado por um Sistema Nutro-Neuro-Imuno-Endócrino, que mantem a Homeostase Energética (balanço energético), em que por um lado temos o gasto energético –  metabolismo basal, atividade física, termogênese adaptativa que é induzida pelos hormônios, dieta e temperatura e por outro lado, temos a ingestão alimentar por demanda energética e ingestão alimentar associado ao prazer – controle Hedônico.

Nos alimentamos para manter esse balanço energético, por que precisamos produzir energia, obter nutrientes (carboidratos, lipídeos, proteínas, vitaminas, sais minerais e água) para que possamos nos manter vivos e ativos.

E as principais moléculas energéticas são os carboidratos (açúcares ou polímeros de açúcar), Lipídeos (gorduras) e proteínas (polímeros de aminoácidos). Moléculas essas que são armazenadas em nosso corpo em forma de glicogênio, triglicerídeos e proteínas. Portanto, quando a ingestão supera o gasto energético, principalmente os carboidratos e lipídeos ficam estocados em forma de gordura “neutra” – triglicerídeos, aumentando a massa de tecido adiposo, levando a obesidade e suas consequências.

Adicionando a isso, nos últimos séculos os homens desenvolveram técnicas agrícolas e pastoris, havendo assim maior abundância de alimentos. E os alimentos vem sendo cada vez mais processados aumentando assim sua concentração energética.  Portanto, hoje, temos maior oferta de alimentos e esses mais engordativos.

 

Fatores Genéticos

A genética é muito importante, pois a mesma contribui com o equilíbrio da massa corporal e há estudos que sugerem que a herança da obesidade é de 50-90%.  No entanto, mutações não explicam a pandemia de obesidade, pois apresentam baixa frequência, assim a explicação mais plausíveis do ponto de vista genético seriam a seleção natural e “genótipo econômico”, ou seja, nossos ancestrais caçavam para poder se alimentar, nos dias que não tinha sucesso na caça ou algum outro motivo de não conseguirem se alimentar, passavam fome, ficavam doentes, e somente os que conseguiam armazenar mais energia em forma de gordura em seu corpo é que sobreviviam e passavam isso para seus descendentes.

 

Programação Metabólica – Epigenética

A programação metabólica ou epigenética se refere a alterações na expressão de genes para que haja uma adaptação ao meio.  E isso é muito intenso no período gestacional e no início da vida da criança (período perinatal), período pela qual são criados mecanismos adaptativos (modificações epigenéticas) que se dão por fatores de impressão como nutrição, ambiente e hormônios.  Assim, a adaptação a esses fatores, criam a programação para que o indivíduo engorde e seja um obeso no futuro.

Levando isso para a prática, em diversas regiões na segunda guerra mundial, muitas mulheres grávidas passaram por período de restrição alimentar e tiveram crianças com baixo peso ao nascer, e com o passar dos anos foi observado que esse grupo de crianças engordaram mais comparando com outro grupo de crianças filhas de mães que não passaram por restrição alimentar na gestação.  Portanto, baixo peso ao nascer pode levar a obesidade na idade adulta.

A partir disso, começaram a observar em diversos estudos que mães/crianças expostas a restrição alimentar, desmame precoce, obesidade materna, ingestão de alguns alimentos (ex.: linhaça – rica em lignanas), exposição a nicotina, as fumaças, a metais pesados e a alguns fatores hormonais, podem também criar uma programação metabólica favorecendo a obesidade, e não só a obesidade, mas também a muitas outras doenças.  

E a alterações epigenéticas podem passar de uma geração para outra. Portanto temos que estar atentos ao período gestacional e ao início da vida das crianças, para que se evite muitos “obesos doentes”.

 

As outras causas de obesidade

O assunto é muito complexo, extenso e dada a importância do mesmo, vamos descrever as outras causas separadamente, uma em cada publicação, e até as acima já inicialmente comentadas.

Aprofundaremos mais o assunto e como tratar cada uma dessas causas.

 

Muito importante

Apenas com essa publicação inicial sobre obesidade, você já deve ter percebido que essa é uma doença crônica importante, que leva a várias comorbidades e há muitas causas para que a mesma se manifeste no indivíduo.  Portanto, a imperante necessidade do obeso ser avaliado por MÉDICO capacitado, antes de recorrer a qualquer tipo de tratamento.

 


Referências

DAY, S. E.; COLETTA, R. L.; KIM, J. Y.; GARCIA, L. A.; CAMPBELL, L. E.; BENJAMIN, T. R.; ROUST, L. R.; FILIPPIS, E. A. DE; MANDARINO, L. J.; COLETTA, D. K. Potential Epigenetic Biomarkers of Obesity Related Insulin Resistance in Human Whole-blood. Epigenetics, 20 jan. 2017.
MOCHIZUKI, K.; HARIYA, N.; HONMA, K.; GODA, T. Relationship between epigenetic regulation, dietary habits, and the Developmental Origins of Health and Disease theory. Congenital Anomalies, 7 fev. 2017.
MORENO-INDIAS, I.; SÁNCHEZ-ALCOHOLADO, L.; GARCÍA-FUENTES, E.; CARDONA, F.; QUEIPO-ORTUÑO, M. I.; TINAHONES, F. J. Insulin resistance is associated with specific gut microbiota in appendix samples from morbidly obese patients. American journal of translational research, v. 8, n. 12, p. 5672–5684, 2016.
PIETROBELLI, A.; AGOSTI, M.; ZUCCOTTI, G.; THE MENU GROUP. Putting the Barker Theory into the Future: Time to Act on Preventing Pediatric Obesity. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 13, n. 11, p. 1151, 17 nov. 2016.
TUNE, J. D.; GOODWILL, A. G.; SASSOON, D. J.; MATHER, K. J. Cardiovascular consequences of metabolic syndrome. Translational Research, 9 jan. 2017.

O Colesterol aumenta o risco de doenças cardiovasculares

O Colesterol aumenta o risco de doenças cardiovasculares

As dislipidemias são alterações acima do normal, dos níveis de lipídeos (gorduras) no sangue e as mais importantes para nós são os colesteróis e os triglicerídeos.

Níveis altos de colesteróis estão associados ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, como o acidente vascular cerebral – AVC, infarto agudo do miocárdio e outras arteriopatias.  Já o aumento dos triglicerídeos está mais relacionado com pancreatite aguda.

E é importante salientar que o aumento nos níveis de colesterol e triglicerídeos não se dão apenas por alimentação inadequada, pois são patologias associadas a distúrbios metabólicos, que vem se agravando nos últimos anos, principalmente pelo aumento do sedentarismo, obesidade, diabetes, consequente a outras doenças, medicamentos entre outras.  Assim é importante que se saiba que no controle do colesterol, a dieta pode ter pouco impacto, ocorrendo o contrário com os níveis de triglicerídeos que respondem muito bem a dieta.

Daí vemos a importância dos medicamentos para o tratamento das dislipidemias, que diminuem os níveis de colesterol e consequentemente suas comorbidades.

Colesterol e doenças cardiovascularesAs dislipidemias são patologias crônicas que devem ser tratadas/controladas por toda vida, portanto, uma vez indicado o medicamento para controle do colesterol (estatinas), talvez nunca mais você deva parar de fazer uso, pois as indicações desses medicamentos não se dão somente pelos níveis aumentados de colesterol, mas sim pelo risco de doença cardiovascular que você possa ter nos próximos 10 anos. E corroborando com isso, a última diretriz sobre o assunto da Sociedade Americana de Cardiologia indica o medicamento não pelos níveis de colesterol, mas pelo risco de doença cardiovascular do indivíduo, e até a potência do medicamento é baseada nesse risco e não nos níveis de colesterol.

Portanto, JAMAIS suspenda o uso do medicamento hipolipemiante (estatinas) por conta própria, pois mesmo baixando os níveis de colesterol,  a manutenção dos remédios deve ser reavaliada por um profissional competente, pois se o paciente mantiver um alto risco para desenvolver doença cardiovascularar (que não depende somente dos níveis de colesterol), deverá continuar tomando a estatina, pois além de fazer baixar o colesterol, ela também tem efeito anti-inflamatório nas artérias, estabilizando as placas de ateroma e evitando por exemplo o indivíduo que venha a ter um infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular encefálico.

 

Causas primárias de níveis altos de colesterol:

  • Hiperquilomicronemia Familiar;
  • Hipertrigliceridemia Familias;
  • Disbetalipoproteinemia;
  • Deficiência da Lipase Hepática;
  • Hiperlipidemia Familiar Combinada;
  • Hipercolesterolemia Familiar;
  • Apoproteína – B100 Defeituosa Familiar;
  • Hipercolesterolemia Autossômica Recessiva;
  • Doença de Tangier;
  • Deficiência da Lecitina-Colesterol Acil-Transferase (LCAT);
  • Deficiência da Proteína Transferidora do Ester de Colesterol (CETP);
  • Hipoalfaliporoteinemia Familiar;
  • Sitosterolemia;
  • Xantomatose cerebrotendinosa;
  • Deficiência familiar de apo-AI;
  • Outras.

 

São causas secundárias:

  • Obesidade;
  • Diabetes Mellitus;
  • Alcoolismo;
  • Insuficiência Renal Crônica;
  • Lipodistrofia;
  • Doença de estocagem do glicogênio;
  • Disglobulinemias;
  • Terapia estrogênica (TRH);
  • Uso de beta bloqueador;
  • Terapia com Isotretionina;
  • Acromegalia;
  • AIDS;
  • Uso de Inibidores da protease;
  • Hipotireoidismo;
  • Colestase;
  • Síndrome nefrótica;
  • Disglobulinemias;
  • Porfiria Intermitente Aguda;
  • Anorexia nervosa;
  • Hepatoma;
  • Esteróides anabolizantes;
  • Progestágenos;
  • Diuréticos tiazídicos;
  • Cliclosporina;
  • Outras.

 

Qual o Tratamento?

Depende do risco de desenvolver doença cardiovascular no indivíduo e em algumas situações de seus níveis de colesterol e/ou triglicerídeos.

 

Tratamento Não Medicamentoso:

  • redução de peso;
  • reduzir a ingestão de gorduras ricas em ácidos graxos saturados;
  • reduzir a ingestão de ácidos graxos trans;
  • aumentar ingestão de fitoesteróis;
  • ingestão de fibras solúveis;
  • aumento da atividade física;
  • redução da ingestão de bebidas alcoólicas;
  • evitar açúcares simples e bebidas açucaradas;
  • diminuir ingestão de carboidratos;
  • substituir fontes de gorduras em ácidos graxos saturados por ácidos graxos mono e poli-insaturados;
  • Cessar tabagismo.

 

Tratamento Medicamentoso:

  • Estatinas (rosuvastatina, atorvastatina, sinvastatina, pravastatina, entre outras);
  • Resinas (colestiramina, colestipol e colesevelame);
  • Ezetimiba;
  • Fibratos (bezafibrato, ciprofibrato,etofibrato, fenofibrato e genfibrozila);
  • Ácido Nicotínico;
  • Ômega 3;
  • Inibidores da MTP;
  • Mipomerseno (RNA antisense);
  • Inibidores da CETP;
  • Inibidores da PCSK9.

Dicas Importantes:

  • JAMAIS suspenda por conta própria o uso do medicamento para colesterol sem orientação de seu médico;
  • Pratique atividade física;
  • Dê preferência a alimentos integrais e outros ricos em fibras;
  • Evite açúcares ou bebidas açucaradas;
  • Evite gorduras em excesso;
  • Não fume;
  • Durma bem;
  • Cuide de seu psicológico;
  • Faça exames periódicos;
  • Vá a seu médico regularmente, pois o mesmo é o profissional mais capacitado em lhe orientar na promoção de sua saúde, assim como diagnosticar patologias, tratar e reabilitar.

 


Referências:
V Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose;
2013 ACC/AHA Guideline on the Treatment of Blood Cholestero to Reduce Atherosclerotic Cardiovascular Risk in Adults;
Endocrinologia Clínica, 6ª ed., VILAR, Lúcio.